Underground
27/10/2010
Toda vez que vou à São Paulo, seja a trabalho, estudos, como foi desta vez, ou a passeios; a cidade me encanta. Acho que devo isto aos meus olhos de fotógrafo. Sempre vejo nela possibilidades de fotografias. Não gosto de vê-la como turista e nem como morador acostumado às suas mazelas.
Cheguei de ônibus na Barra Funda e de metrô fui e voltei até a estação Paraíso, para chegar ao Itaú Cultural, na Av. Paulista, onde acontecia o 2º Forum L.A.de Fotografia.
No trajeto, tanto na ida como na volta, fui fotografando. Sei que fotografar dentro das instalações do Metrô deve ser proibido. Não sei o que tenha provocado a proibição, em nenhum momento fui solicitado a não fazê-lo. Mas, continua sendo um tema encantador.








Dicas para fotografar crianças
20/08/2010
Como enquadrar melhor a criança ?
Tem duas formas de enquadramento, paisagem, quando o retângulo do visor está na horizontal, e retrato, com o visor na vertical.
É importante fotografar a criança da mesma altura dela. Evitam-se distorções e o enquadramento fica mais agradável. Um close do rosto cabe melhor em um enquadramento na vertical, retrato. Se forem dois rostos use o enquadramento na horizontal
Aproveitando a iluminação ambiente
Hoje as câmeras digitais fazem a correção do balanço do branco automaticamente.
Você não tem necessidade de usar filtros de correções de cores conforme as fontes de iluminação. Se sua câmera tem o dispositivo de balanço de branco, normalmente é mostrado como WB (White Balance), defina a fonte de luz que existe no ambiente que pode ser: fluorescente, incandescente ou tungstênio. Outra solução é deixar o balanço de branco no modo “auto”
Como evitar imagens tremidas
O tremor nas fotos é determinado por um registro da imagem com o dispositivo de controle da “Velocidade”, ou “S” (shutter) muito baixo. Exemplo: velocidades próximas de 1 segundo. Quanto maior for esse número, menos riscos de tremores. Se sua câmara permitir esse tipo de controle, prefira velocidades acima de 1/30.
Outra saída é elevar o ISO, que é a sensibilidade do sensor, e automaticamente a velocidade subirá, evitando o tremor. Atenção: ISO muito alto afeta a definição da foto
Uso do flash
Normalmente a câmera compacta tem flashes incorporados, e dependem de uma decisão do fotógrafo para que ele dispare automaticamente quando falta luz na cena.
Tem que se tomar cuidado ao usar flashes incorporados, pois eles são diretos e produzem sombras duras, muito marcadas. Quanto mais próximo do modelo, mais marcadas as sombras.
Evitar olhos vermelhos
Os olhos ficam vermelhos nas fotos quando o flash está na linha dos olhos do modelo. A luz do flash ilumina o fundo do olho repleto de vasos sanguíneos. Para evitar isso, procure o dispositivo de “olho vermelho” na sua câmera, normalmente representado por um ícone que é um olho, aciono-o. Isso vai fazer com que a câmera dispare uma pequena sequência de flashadas mais fracas antes do disparo final, provocando assim o fechamento da retina e evitando o olho vermelho na foto.
Como conseguir feições espontâneas dos pequenos
O maior erro dos adultos ao fotografar suas crianças é exigir que elas fiquem quietas.
Espontaneidade é tudo. Se você exigir que ela pare, ela vai imitar um adulto e sorrir falso. Faça fotos enquanto ela brinca, conversa, anda ou corre. Abaixe se no nível delas.
Fotografe antes que ela pare e faça pose. Fotografe entre uma pose e outra.
Cuidados com o fundo.
É um erro ignorar o fundo. O fundo é muito importante, e ele pode trabalhar a favor ou contra seu enquadramento. Procure fundos simples, com cores suaves, evite galhos de árvores e postes saindo por trás da cabeça
Fotos de eventos (festas de escola, aniversários)
Normalmente estas festas são em locais fechados. Se for o caso use o flash da câmara. Lembre-se flash incorporado na câmera produz sombras duras e definidas.
Nas festas, as crianças se agrupam, são criativas e sorridentes. Acompanhe-as. Faça detalhes das mesas, da decoração, dos brinquedos, das comidas, bocas cheias e sorrisos.
Antecipe os acontecimentos para não perder os eventos dentro da festa.
Esteja atento na hora dos parabéns, e principalmente o momento de apagar a vela do bolo.
Aproveitar melhor os recursos da máquina digital
Uma solução banal, mas necessária, é a leitura do manual da câmera. Faça a leitura com a câmera nas mãos e desvende seus mistérios. Acesse o menu e o set up, pois é aí que estão muitos dos controles da câmera.
Os controles básicos são: ISO, WB (balanço do branco), modos de exposição,
uso ou não do flash e modos de focagens. Hoje, a câmera tem detectores de faces e fazem o foco exatamente aí, muitas vezes retardam o click, mas é um recurso interessante.
Procure fotografar de forma descontraída, assim as crianças se sentirão mais á vontade e os resultados mais espontâneos. Se preciso, ajoelhe-se, sente-se ou deite-se no chão, elas vão adorar vê-lo assim e reagirão muito bem às suas ações e solicitações.
Não se esqueça: baterias e cartões de memórias extras são sempre recomendáveis
Última dica: seja crítico. Não tenha dó de apagar as fotos que não gostar. As pessoas vão elogiar sua seleção de apenas 50 melhores fotos.
Boas fotos
Arqueografia II
06/07/2010

Capa da revista Guia Astral, nº 9 de Janeiro de 1987. Ed. Alto Astral
Esta não foi a primeira capa que fizemos para a revista “Guia Astral”, e nem a última, porém é uma das que mais gosto. No todo, fizemos as primeiras 9 capas, de novembro de 1986 à julho de 1987.
Em agosto do mesmo ano a apresentadora Xuxa ilustrou a capa da revista nº 16, a partir daí as fotos sempre estiveram e estão até hoje contemplando personalidades da mídia nacional.
A revista Guia Astral começava sua trajetória de sucesso, criada e produzida em Bauru. Hoje é a revista mensal com maior vendagem no Brasil.
Esta edição, de nº 9, de janeiro de 1987, como as anteriores, teve somente a capa com quatro cores, todo o miolo com apenas uma cor.
As solicitações para produção das fotos para capas vinham diretamente do criador e proprietário da editora, João Carlos de Almeida, hoje, conhecido em todo território brasileiro como João Bidu.
Não tínhamos um briefing para a produção, mas tínhamos a confiança que o João, criador e diretor da revista nos depositava.
Analisando as capas hoje, distanciadas pelo tempo e pelos momentos históricos daquela época, ela nos parece uma ousadia e uma liberdade poética que ousávamos praticar.
Érika Assumpção, 13 anos, foi a modelo. Maira Leão fez a produção. Edinho fez cabelo e maquiagem e tivemos a assistência de Celso Melani.
Um ano antes, uma foto na capa da National Geographic se tornaria um ícone e uma referência para todos os jovens fotógrafos, inclusive nós.
Steve McCurry ficou conhecido mundialmente pela famosa imagem da menina afegã, Sharbat Gula, na capa da revista de junho de 1985.
ArqueografiaI
19/05/2010

Uma das primeiras capas de caderno TILIBRA – 1979
Arqueografia I Obs. Essa palavra é a junção de arqueologia e fotografia, que criei para falar de coisas do meu passado fotográfico.
Todo fotógrafo tem sua história. A minha, como a de muitos, começou quando descobri a importância do desenho. Na adolescência a primeira câmara. Formato de filme: 120. Branco e preto, e o aprendizado baseado nas tentativas e erros. Na universidade uma Nikon F, sem fotômetro me acompanhou por muitos anos.
Nessa época a fotografia já havia se associado ao meu interesse pelo desenho, e essa união me levou a uma pós graduação acadêmica nos Estados Unidos com uma bolsa de estudos para um mestrado em Design Gráfico, com uma carga considerável de disciplinas de fotografia.
Voltei para a universidade para assumir minhas funções docentes, e a fotografia permaneceu como a forma de expressão preferida.
1979 foi o ano que pela primeira vez atendi uma agencia de publicidade: a Thomas Propaganda, de Bauru. Uma pequena e criativa agência que tinha entre seus clientes a Tilibra, hoje uma multinacional na área de papelaria. A Thomas teve a ousadia de propor fotos nas capas dos cadernos, e criou uma linha denominada Jeans. Eu fui convidado a fazer as fotos. E pela primeira vez no Brasil os jovens puderam usar cadernos com capas ilustradas com fotos, hoje é um padrão nacional
Ainda não tinha um estúdio, apenas as câmaras e flashes portáteis. Usei uma Hasselblad CM, com uma lente 150 mm. A Agência cuidou da produção. Decidi por uma luz difusa, rebatida. Postei a modelo contra a luz do sol e de frente para uma parede branca. Usei um fotômetro Gossen Pró para conferir a exposição. Fiz um único filme de 12 exposição com frames de 6 x 6 cm. Ektachrome, ISO 64. Marcos Horta era diretor de arte, hoje é um grande ilustrador. Somos amigos até hoje.
A imagem acima é uma reprodução de uma prova da Gamma Fotolito, em S. Paulo, datada de 07 de julho de 1979.
R$ 2,00
12/05/2010

“Sr. Olicio, tenho orçamento de R$ 2,00 por foto, o Sr. Consegue algo parecido?”
A fotografia digital, e a automatização dos equipamentos, infelizmente, instituíram um novo estatuto que gerencia as relações do fotógrafo, seja profissional ou não, e o cliente ou usuário.
A pergunta acima veio da “supervisora de marketing e vendas” de uma empresa de distribuição de produtos para mobiliário, de Bauru, com uma linha de 1200 produtos.
A solicitação de orçamento era de fotos em estúdio, com recortes de fundo, e para serem utilizadas em mídias impressas e eletrônicas; folders e site.
Para ter uma referência do que eles já haviam feito, entrei no site da empresa e vi o tamanho do problema que eles tinham. As fotos com baixíssima qualidade e resolução, com recortes mal feitos e a impossibilidade de ampliação em outra tela. Somando-se a isso a variedade de tamanhos dos produtos, alguns com menos de 01 cm, que exigiriam a utilização de lentes macro.
Considerei que o trabalho tinha um nível médio de dificuldades, levando em conta dimensões diferentes, variedade de materiais: madeiras, plásticos foscos e transparentes, borrachas, metais inoxidáveis. Enfim, tratamentos diferentes e cuidados de iluminação que cada um desses materiais exigia.
Tive o cuidado de solicitar três amostras das peças para levar para o estúdio e fazer um teste para que a Sra. Supervisora visse a qualidade do trabalho. Resultado que ela não questionou em nenhum momento.
Fico imaginando que para me oferecer R$ 2,00 por foto, a supervisora de marketing deva ter recebido um orçamento de outro fotógrafo com este valor unitário.
Imagino também que este fotógrafo deva ser um profissional, que não conheço, que deva ter um equipamento razoável, um estúdio, uma estrutura, pague impostos, enfim; queira no futuro continuar trabalhando com fotografia. Porém, se continuar se submetendo a valores como este dificilmente isto ocorrerá. Não terá futuro na fotografia, porque fotografar profissionalmente hoje, exige acima de tudo, evolução, atualizações e aprimoramentos, e isso custa, e não é pouco. Além de que ele solapa o trabalho e o futuro de outros profissionais, fazendo o empresário pensar que a fotografia não tem custo.
Trabalhando desta forma, ou ele não precisa do dinheiro de seu trabalho, o que pode acontecer, ou não tem a noção do valor do seu trabalho e muito menos o valor que suas fotos agregarão aos materiais de divulgação de seu cliente.
O empresário que pensa pequeno, pensa apenas no lucro dele, e com isso ele aniquila seu fornecedor. Isso tem sido uma regra ignorante utilizada por empresários despreparados.
Aprendi durante esses muitos anos atendendo empresas, fossem pequenas, médias ou grandes, que quando o orçamento de fotografia é discutido no departamento de compras, o trabalho do fotógrafo se mistura com porcas e parafusos
O Olhar
07/12/2009
A fotografia é hoje uma das formas de representação mais utilizada pelo homem. Aos 185 anos, aproximadamente, a fotografia desencadeou uma nova forma de representação. A fotografia inclui-se no universo das demais representações, assim como: o Teatro, a música, o desenho, a pintura e escultura e a escrita. Se no princípio era a palavra, a partir da descoberta e popularização da fotografia, cria-se um novo exercício para o ser humano carente de representação do seu entorno e de si mesmo.
Do Renascimento Italiano em 1500 até a descoberta da fotografia, os artistas interpretaram o homem e a natureza sob filtros culturais e sociais característicos de espaços e épocas diferentes, constituindo assim uma representação baseada na visão pessoal do artista. Esta forma de expressão baseada na interpretação também foi admitida pelos primeiros fotógrafos comerciais que de alguma forma tentavam fotografar como se estivessem pintando, ou tratavam suas fotografias como pinturas, obedecendo assim um padrão de representação que vinha das artes plásticas.
Ao surgir, a fotografia confirma mais do que em qualquer outra forma de representação a existência e a grande diferença entre o ver e o olhar. O homem experimenta um novo olhar. O ver da câmera fotográfica, através do olhar do fotógrafo. A fotografia assume a responsabilidade de transcrever o real para o imaginário e revela ao mundo o que ele próprio desconhece. O ver e o olhar são duas possibilidades do sistema perceptivo visual humano. O ver é uma manifestação fisiológica e uma resposta a um estímulo luminoso. O olhar é uma investigação cultural que estabelece relações complexas com a consciência, repertório e conhecimento do fotógrafo.
Se o ver é físico o olhar é o que revela a imagem do real. O exercício do olhar, como forma de interpretação cultural, surge a partir da necessidade humana de se reconhecer dentro dos processos de representações, principalmente nas bidimensionais como no desenho, na pintura, na gravura e finalmente dentro da fotografia.
A todo e grande artista, seja pintor ou fotógrafo, foi imposto o dever de representar o homem e seu entorno com os olhos de olhar. São os olhos de quem: soma, diminui, investiga, associa, mede, infiltra e relaciona.
O homem comum aprendeu que a grande foto, a foto obra de arte somente é possível para aquele que, além dos domínios técnicos que envolvem a fotografia, também, possua o domínio do olhar.
Para o observador comum, aquele que simplesmente vê, a fotografia é a oportunidade de experimentar o olhar que é de outro. Quando observamos uma foto de fotógrafos como: Sebastião Salgado, Cartier-Bresson, Robert Capa, Eugene Smith entre outros, estamos experimentando um olhar diferente do nosso. Um olhar que difere na sua essência. Que nos dá uma nova dimensão e um novo requinte. É a beleza aprisionada pelo olhar do fotógrafo que supera a inerente beleza do real. A fotografia é apenas o suporte técnico e gráfico do olhar. É o olhar do fotógrafo que habilita nossos olhares. Habilita nossos olhares a ver alem do ver físico.
Olhamos com o olhar de alguém que nos revela uma outra realidade.
PARA ENTENDER A FOTOGRAFIA
02/12/2009
BIBLIOGRAFIA PARA ENTENDER A FOTOGRAFIA.
A bibliografia abaixo é uma compilação de todas as leituras pelas quais passei durantes os anos de formação teórica em cursos de pós graduação e em diferentes universidades, em uma constante busca para entender a fotografia
Os títulos listados cobrem áreas da: História das Artes e Fotografia, Filosofia, Estética e poucos de Sociologia.
Como toda lista, esta bibliografia carece de atualizações, porém acredito que nela temos o que há de mais importante já publicado a respeito da Fotografia.
Agradeço as possíveis indicações de novos títulos.
Em breve republicaremos com as indicações
ARGAN, G.C. – A arte moderna. São Paulo: Cia. das Letras,1992
BOURDIEU, P. – O poder simbólico. LIsboa: DIFEL, 1989.
FRANCASTEL P. – A realidade figurativa. Trad. Mary A. L. Barros.
São Paulo: Perspectiva/EDUSP, 1973.
- Imagem, Visão e Imaginação. São Paulo: M. Fontes , 1983
ARNHEIN, R. – El pensamiento visual. Buenos Aires: Universitária, 1973.
BAITELLO, N. Jr. – Dadá-Berlim – Des/montagem. São Paulo: Annablume, 1993.
BAXANDALL, M. – O olhar renascente –São Paulo : Ed. Paz e Terra, 1991
BARTHES, R. – O óbvio e o obtuso. Trad. de Isabel Pascoal. Lisboa: Edições 70, 1984.
- A câmara clara. Trad. Manuela Torres. Lisboa: Edições 70, 1981.
BATISTI, E. – Renascimento e maneirismo. Lisboa: Editorial Verbo, 1994.
BENJAMIN, W. – Magia e técnica, arte e política. Trad. Paulo Sérgio Rouanet: São Paulo: Brasiliense, 1985.
BENSANÇON, A. – A imagem proibida. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1997.
BERGER, J. – Modos de ver – Barcelona: Ed. G. Gilli, 1974.
BONOMO, P. D. ( coord.) –– Fotografia e información de guerra / España 1936-1939.Barcelona: Ed. G. Gilli,1977
BOURDIEU, P. – Un art moyen- essai sur les usager sociaux de la photografie. Paris: Minuit, 1965.
- O poder simbólico, memória e sociedade. Lisboa: Ed. Difel, 1989
DANIELS, P. – Early Photography, London: Academy Edition, 1978.
DELUMEAU, J. – A civilização do renascimento (vol. 1).Lisboa: Editorial Estampa, 1983.
DE PAZ, A. – L’Image fotografica. Storia , estetica e ideologie. Bologna: CLUEB,1986.
DUBOIS, P. – O ato fotográfico e outros ensaios. Campinas: Papirus, 1984.
EXPÓSITO, M. & G. VILLOTA (org.)- Plusvalias de la imagen. Bilbao : Rekalde,1993.
FABRIS, A. – Fotografia- usos e funções do século XIX. São Paulo : EDUSP, 1991.
FONTCUBERTA, J. – Estética fotográfica- seleción de textos. Barcelona: Blume, 1984.
FRANCASTEL, P. – A realidade figurativa. Trad, Mary A. L. Barros. São Paulo: Perspectiva/EDUSP,1973.
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FREUND, G. – La fotografia como documento social. Barcelona: Ed. G. Gilli, 1976.
GENSHEIM, H. – The rise of photography. London/ New York, Thames e Hudson, 1988.
GOMBRICH, E. H.- A história da Arte. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1988.
- Art end illusion. New Jersey: Princeton University Press, 1972
- La image e El ojo – nuevos studios sobre
La psicologia de La representación pictórica. Madri: Aliança Ed. ,1987.
HOCKNEY, David. O Conhecimento Secreto. São Paulo. Cosac & Naify Edit., 2001
HUYGHE, R. – O poder da imagem. São Paulo: M. Fontes, 1986.
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JEFREY, I. – Photography: a concise history .New York: Oxford University Press, 1981
KOSSOY, B. – Fotografia e história, série princípios. São Paulo: Ed. Ática, 1989.
-Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. São Paulo: Atelier Editorial, 1999
LANGER, S. K. – Feeling and form. – New York: Lyceum Editions, 1953.
MACHADO, A – Máquina e imaginário. São Paulo : Edusp, 1993.
MICHELLI, M. – As vanguardas artísticas do século XX. São Paulo:Martins Fontes, 1991
MONFORTE, L.G. – Fotografia pensante. São Paulo : Ed. SENAC, 1996.
PANOFSKY, E .- Significado nas artes visuais. Trad. Maria Clara Kneese e J. Guinsburg.
São Paulo, 1976.
PARENTE, A. (org.) – Imagem máquina– a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
SCHAEFFER, J. M. – La imagen precária. Madri:Cátedra,1987.
SCHARF, A. – Arte y fotografia. Madrid: Alianza Editorial, 1994.
SENA, A. – Uma história de fotografia. Lisboa : Imprensa Oficial – Casa da Moeda, 1991.
STAROBINSKI, J. – 1789- Os emblemas da razão – São Paulo: Ed. Schwarcz, 1989.
STELZER, O.– Arte e fotografia – contactos , influências y efectos. Barcelona: Ed.G.Gilli, 1981
SONTAG, S. – Ensaios sobre fotografia. Rio de Janeiro: Arbor, 1981.
VILCHES, L. – Teoria de la imagem periodística. Barcelona: Paidós Comunicación,1993
WESCHER, H. – La história del collage. Barcelona : Ed. G. Gilli, 1976.
Memórias
05/02/2009
Há muito tempo venho pensando em escrever o que me aflige sobre esta profissão de fotógrafo, e tentarei partilhar com amigos, temas atuais e outros não tão recentes. Começo hoje e espero dar continuidade a esta missão. Não desejo ter a opinião final sobre nenhum tema relacionado à fotografia, e muito menos quero ser o senhor da razão, mesmo porque continuo hoje tendo mais dúvidas sobre a atividade do que quando comecei, e isto faz um bocado de tempo, ainda falarei sobre este tempo.
Com a formação acadêmica voltada para o Design gráfico, e com enfoque em fotografia, cheguei à conclusão que me viciei em produção e consumo de imagens. Comecei ainda muito garoto, desenhando em papel de embrulho, usando um lápis muito bem apontado por meu avô, dono de um pequeno comércio em uma cidade muito pequena no interior do estado de São Paulo. O papel ainda era o suporte universal de imagens, fossem elas desenhos ou fotografias, e o papel vinha em rolo, tipo bobina, de cinqüenta centímetros de largura, e ficava em um suporte em cima do balcão. Era só puxar o papel e recortar-lo no tamanho necessário
Os desenhos eram esquemáticos, frutos de uma visão infantil do universo ao meu redor. Eram livres, leves, não indicavam de onde vinha a luz, portanto não indicava a sombra e muito menos os elementos da perspectiva.
Passaram-se alguns anos, e então no inicio da adolescência me deparo com uma câmara fotográfica Kapsa. Digo câmara porque ela era realmente uma câmara escura, provida de poucos recursos, que para mim eram misteriosos. O filme no formato 120, preto e branco, produzia negativos 6×9 cm. E o negativo quando copiado produzia em mim um deslumbramento. O resultado exigia do garoto adolescente, um esforço de interpretação tão grande quanto os meus primeiros desenhos. No lugar da leveza, simplicidade, e nível de abstração dos desenhos, na fotografia agora existiam regras, medidas, e uma espécie de padrão representativo que aos poucos fui absorvendo e dominando. A passagem do desenho para a fotografia foi brusca e radical, mas continuava sendo imagem sobre papel. Entendi também que continuava desenhando. Havia trocado o lápis pela luz. Tudo contido naquele pequeno retângulo de papel tinha volume, havia luz e sombra, as pessoas estavam locadas, como se a imagem tivesse um GPS automático, eram identificáveis, tanto as pessoas como os lugares.
Assisti com curiosidade os primeiros passos da digitalização da fotografia. Resisti até que as primeiras câmaras profissionais assumissem a troca do filme pelos sensores digitais. Já não desenho mais. Meu arquivo de negativos ou positivos coloridos (slides) parecem arquivos de um museu. Um museu fruto do meu olhar. Estão ali à espera de mim, pedindo para que eu faça alguma coisa. Talvez querendo dizer:- olha, vamos durar muito mais que os seus agadês, cedes e devedês, onde você tem guardado sua novas imagens “digitais”.
Nessa imprecisa luta entre o físico e o virtual observo o fluxo incessante de imagens JPEG transitando pela rede e me pergunto: Permanência e durabilidade ainda serão adjetivos da virtualidade? Falando nisto: onde será que deixei meus primeiros desenhos?