Pecados da carne

14/04/2010

Produção à pedido da Ag. Pão Criação/Bauru

Corte: Picanha à Amadeus

Cliente: Amadeus Bar

 

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“Crédito não é moeda, é direito! Respeite o fotógrafo” 

 

Fotos de culinária sempre são desafiadoras.

Chuleta é um corte especial de carne bovina que inclui: picanha, filé mignon,contra filé,calcatra e fraldinha

Quando se confirmou o trabalho eu tinha pouquíssimas informações sobre quais pratos deveríamos fotografar. A opção um, seria fazer as fotos em estúdio, porém decidimos que deveríamos fazer no salão do restaurante em um dia que estivesse fechado, assim teríamos a cozinha e os ajudantes disponíveis.

De manhã cheguei ao Amadeus com um mini estúdio e antes de montá-lo conversei com o diretor de arte que me passou o briefing de como gostaria de ter as fotos.

Fundo escuro, tons amarelos nas fotos, com leve saturação para facilitar a diagramação das peças gráficas e profundidade de campo reduzida.

Observei o salão e notei que uma das paredes tinha cinco janelas com persianas horizontais, fechei-as todas e deixei o salão em uma leve penumbra. Armei uma mesa ampla contra esta parede sob uma das janelas e forrei-a com o verso de uma placa de fórmica, que untei com óleo para escurecê-la.

Sugeri como grelhar a chuleta, e como tostar as laterais da gordura sem queimá-la. Montamos a produção.

Controlei a contra luz vinda da janela, através das persianas. Cobri o fundo acima da mesa com uma placa de isopor a 0,50m de altura para escurecê-lo em degradê, e fiz todas as fotos dessa maneira.

Em alguns momentos usei a luz através das persianas laterais, controlando-as como se tivessem um “potenciômetro,” outras vezes, apenas a persiana sobre a mesa. Acima da janela, uma arandela com lâmpada incandescente de 100 watts produziu os tons quentes das fotos.

ISO 200, lente em 29 mm para distorcer levemente o conjunto, F/4.0 para pouca profundidade de campo e 1/2seg de exposição

Sem flashes, difusores, colméias, sombrinhas ou rebatedores.

Simples assim.

Um beijo na Batista.

Batista de Carvalho é o nome de uma importante rua central em Bauru. SP.

Durante o desenvolvimento do Projeto ”A cara da Batista”, um grupo de fotógrafos de Bauru, Focopoint,

documentou as atividades daquela rua, aos sábados de manhã. Em abril de 2009, fotografei um casal que saía de uma loja.

Felizes eles comemoravam alguma coisa. Ele acabara de entregar um presente a ela e os dois se beijavam.

Fiz a foto. Um único shot. Não conversei com o casal e nem sabia se eles haviam notado minha presença.

A foto entrou na seleção para uma exposição itinerante e atualmente parte da seleção está exposta

na mini galeria Doceana, do Sílvio, um dos participantes do grupo de fotógrafos.

É lá também que o grupo de fotógrafos se reúne aos sábados de manhã.

Quase um ano depois, reunidos no sábado de manhã, as fotos ainda expostas, entram duas mulheres na Doceana.

Uma delas era a jovem do beijo perguntando quem havia feito a foto.

Suspense: – e todos olharam para mim – Fui eu, falei.

Adorei, disse ela sorrindo.

Aliviado perguntei seu nome, e se o homem da foto ainda estava na vida dela. Ela respondeu sorrindo, dizendo que sim.

Disse me que queria uma cópia.

Falei que faria e entregaria durante esta semana.

Aqui estou ligando para ela para dizer que cópia está pronta.

Fotógrafos vivem “tirando fotos” para que de alguma forma possam devolvê-las processadas, não por bytes e ou processos químicos, mas, pela emoção.

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Cliente ao telefone: – Olicio, estou lançando novas saladas você faz as fotos?

Respondo: – Faço. Tem que ser no restaurante, diz ele.

Sem problemas, respondo.

E lá vou eu numa tarde quente para o restaurante ainda fechado, aberto apenas para a limpeza, o cozinheiro e eu.

Monto a iluminação e uma mesa com um fundo cinza claro. Sei que no final a agência vai recortar a foto do fundo.

Peço que montem uma salada para que eu veja, e o resultado é desastroso, uma verdadeira salada.

Peço todos os ingredientes, alface, rúcula, peito de frango, bacon, croutons e molho chedar.

Seleciono os melhores e começo a criar uma apresentação para a salada. Assim acabo criando todas as saladas

Faço as fotos, crio um link para que o cliente as veja.

O cliente é um jovem empreendedor, antenado e exigente.

Ele me liga logo em seguida e diz: gostei muito, quanto é o custo da criação?

Chamei você para fotografar e não para criar nossas saladas.

Nem todo cliente trata o fotógrafo assim.

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Jerked Beef

12/01/2010

Produção para embalagem de carne seca.

Jerked Beef é um dos tipos de carne seca que os frigoríficos

produzem e colocam no mercado.

Esta foto acabou não sendo utilizada porque se distanciou do

conjunto das outras embalagens da linha, na forma de apresentação

do produto.

As vezes um briefing mal interpretado pelo fotógrafo acaba gerando

trabalho desnecessário.

A foto definitiva já está em processo de impressão na embalagem definitiva.

Em breve poderemos mostrá-la

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Verdes de dezembro

30/12/2009

Dezembro é um mês ótimo para fotos aéreas.

As chuvas de novembro deixam a vegetação em tons de verdes brilhantes.

Sobem os contrastes e se intensificam as demais cores.

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FOTOGRAFANDO IDÉIAS

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D. Marli é feirante.

Todas as sextas feiras, faça chuva ou faça sol ela monta sua barraca às 05hs

na quadra 14 da R. Virgilio Malta. Em Bauru.SP.

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Dona Toninha

18/12/2009

D. Toninha é uma das feirantes da minha rua que fotografei no projeto Help Portrait.

Sua banca fica em frente ao estúdio. Ela fez questão de vir vestida de  mamãe noel

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O Olhar

07/12/2009

     A fotografia é hoje uma das formas de representação mais utilizada pelo homem. Aos 185 anos, aproximadamente, a fotografia desencadeou uma nova forma de representação. A fotografia inclui-se no universo das demais representações, assim como: o Teatro, a música, o desenho, a pintura e escultura e a escrita. Se no princípio era a palavra, a partir da descoberta e popularização da fotografia, cria-se um novo exercício para o ser humano carente de representação do seu entorno e de si mesmo.

     Do Renascimento Italiano em 1500 até a descoberta da fotografia, os artistas interpretaram o homem e a natureza sob filtros culturais e sociais característicos de espaços e épocas diferentes, constituindo assim uma representação baseada na visão pessoal do artista. Esta forma de expressão baseada na interpretação também foi admitida pelos primeiros fotógrafos comerciais que de alguma forma tentavam fotografar como se estivessem pintando, ou tratavam suas fotografias como pinturas, obedecendo assim um padrão de representação que vinha das artes plásticas.

     Ao surgir, a fotografia confirma mais do que em qualquer outra forma de representação a existência e a grande diferença entre o ver e o olhar. O homem experimenta um novo olhar. O ver da câmera fotográfica, através do olhar do fotógrafo. A fotografia assume a responsabilidade de transcrever o real para o imaginário e revela ao mundo o que ele próprio desconhece. O ver e o olhar são duas possibilidades do sistema perceptivo visual humano. O ver é uma manifestação fisiológica e uma resposta a um estímulo luminoso. O olhar é uma investigação cultural que estabelece relações complexas com a consciência, repertório e conhecimento do fotógrafo.

      Se o ver é físico o olhar é o que revela a imagem do real. O exercício do olhar, como forma de interpretação cultural, surge a partir da necessidade humana de se reconhecer dentro dos processos de representações, principalmente nas bidimensionais como no desenho, na pintura, na gravura e finalmente dentro da fotografia.

     A todo e grande artista, seja pintor ou fotógrafo, foi imposto o dever de representar o homem e seu entorno com os olhos de olhar. São os olhos de quem: soma, diminui, investiga, associa, mede, infiltra e relaciona.

     O homem comum aprendeu que a grande foto, a foto obra de arte somente é possível para aquele que, além dos domínios técnicos que envolvem a fotografia, também, possua o domínio do olhar.

     Para o observador comum, aquele que simplesmente vê, a fotografia é a oportunidade de experimentar o olhar que é de outro. Quando observamos uma foto de fotógrafos como: Sebastião Salgado, Cartier-Bresson, Robert Capa, Eugene Smith entre outros, estamos experimentando um olhar diferente do nosso. Um olhar que difere na sua essência. Que nos dá uma nova dimensão e um novo requinte. É a beleza aprisionada pelo olhar do fotógrafo que supera a inerente beleza do real. A fotografia é apenas o suporte técnico e gráfico do olhar. É o olhar do fotógrafo que habilita nossos olhares. Habilita nossos olhares a ver alem do ver físico.

     Olhamos com o olhar de alguém que nos revela uma outra realidade.

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